A frase soa estranha, quase como um deboche cultural: “Eu caguei no Louvre”. Mas, quando deslocada do literal e colocada no campo da metáfora, ela diz muito sobre o Brasil contemporâneo, um país que deixou de pedir permissão para existir no imaginário global e passou a ocupar seu espaço com naturalidade, potência e confiança. O Museu do Louvre não precisa de apresentações: símbolo máximo da cultura europeia, ele representa o pedestal simbólico sobre o qual o Ocidente se colocou durante séculos. A provocação, porém, não é um ataque ao museu, mas um gesto de deslocamento: hoje, o Brasil já não se define pela comparação nem se aceita como periférico diante desses templos culturais.
Durante décadas, o Brasil foi reduzido a imagens fáceis: praias, carnaval, futebol, corpos. Nada disso desapareceu, e nem precisa. O que mudou é que o país passou a ser visto também como uma engrenagem real do mundo, com peso econômico, ambiental, energético e social. Hoje, o Brasil ocupa um lugar estratégico no cenário global, não apenas como exportador de commodities, mas como provedor de soluções em alimentação, energia limpa e sustentabilidade.
O Brasil segue entre as maiores economias do planeta, com um PIB que gira na casa dos trilhões de reais e uma estrutura econômica diversificada. Mesmo em ciclos de desaceleração global, o país mantém crescimento sustentado por consumo interno, serviços, indústria e, sobretudo, pelo agronegócio. A economia brasileira deixou de ser vista apenas como “promissora” e passou a ser tratada como estruturalmente relevante, grande demais para ser ignorada, complexa demais para ser subestimada.
Na agricultura, o Brasil não disputa protagonismo: ele lidera. Soja, milho, carne bovina, frutas tropicais e suco de laranja colocam o país como um dos principais fornecedores de alimentos do planeta. A combinação de solo fértil, clima diverso, tecnologia agrícola e escala produtiva faz do Brasil um ator central na segurança alimentar global. Não é exagero dizer que, em um mundo marcado por crises climáticas e conflitos, o Brasil é parte da solução. Poucos países reúnem tantos ativos estratégicos:
- uma das maiores reservas de água doce do mundo;
- uma matriz energética com forte presença de fontes renováveis (hidrelétrica, solar, eólica e biocombustíveis);
- reservas relevantes de petróleo e gás, especialmente no pré-sal.
- E o SUS um projeto imperfeito, sim, mas profundamente civilizatório.
Essa combinação coloca o Brasil numa posição rara: crescer economicamente enquanto dialoga com a agenda ambiental global. Não por discurso, mas por estrutura real.
Mas nem tudo é Maravilhoso, o Brasil ainda enfrenta problemas sérios — violência urbana, desigualdade social e gargalos logísticos, entre outros. A diferença é que hoje esses desafios convivem com avanços reais, não com paralisia. O país deixou de viver apenas de promessas e passou a viver um processo, lento, imperfeito, mas concreto. No fim das contas, quem mais demonstra desprezo pelo Brasil são justamente os patriotas bolsonaristas: exaltam um sonho americano idealizado enquanto rejeitam o país real — exatamente aquele que o mundo começa, finalmente, a reconhecer e valorizar.
Mas nenhum dado econômico explica sozinho por que estrangeiros que visitam o Brasil costumam sair apaixonados. O verdadeiro diferencial brasileiro é o povo. O brasileiro é receptivo, caloroso, educado no trato cotidiano. Abraça, conversa, ajuda, ri junto. Recebe bem quem chega de fora não como cliente, mas como visita. Há um prazer genuíno em acolher, em mostrar o país, em compartilhar a mesa, a rua, a experiência. É comum ouvir de estrangeiros que o Brasil não encanta apenas pelas paisagens, mas porque as pessoas fazem o visitante se sentir em casa. Esse capital humano, invisível nas estatísticas, pesa enormemente na forma como o mundo passa a olhar o país.
E afinal…
No fim das contas, vale esclarecer: quando eu disse “caguei no Louvre”, não estava falando de um gesto de desprezo cultural. É humor. É quebra de solenidade. Na verdade, o caso, foi só o croissant com chocolate…em um café de Paris, digamos que foi uma experiência cultural completa. Nada contra o museu; excelente, aliás.
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